quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Carta para Nina.


Manhã amarelada que fui andar na Jaqueira. Foto de celular.

Mesma manhã amarelada. Mesmo celular.

Faz calor. Mas eu estou num terraço de chão frio que equilibra o ar comigo. Está quente mas venta de leve nas folhas amareladas. Fico assistindo a janela como se fosse TV, em uma cadeira cativa, cativando suspiros que ninguém vê. Você sabe como sou melancólica às tardes, Nina. Comendo suspiros saidos do forno. O dia está um forno, com cheiro de fornada de pão, mas é amarelado e isso tem um lado tão gostoso.
Vai chover que eu sei. Eu sou do interior, eu sei das coisas. Por isso minha carta vai ser curta. Quando chove a varanda molha inteira e eu não gosto de escrever com o barulho da TV lá dentro. E o cachorro não vive sem a TV ligada, você sabe, Nina. Se não tem com o que se entreter, come todos os suspiros. Só escrevo na varanda. Será que dá tempo?
Como vai Nevinha, Lourdes, Oscar, Cabo Jaime? Nevinha ainda leciona pros meninos? Lourdes ainda costura os calangos na cadeira antiga? E Oscar, come? O Cabo Jaime ainda canta na rádio? Mande notícias pelo vento, por favor. Eu prefiro. As coisas por ele chegam mais arejadas e transparentes. Certifique-se que não vai chover, por favor. Você também é do interior e sabe das coisas. Se as noticias se molham e derretem, o que vai ser do meu relicário?
Eu vou bem. Já senti saudade, já senti ciúmes, já me senti sozinha demais, aí distribuí suspiros pelos cantos da casa. Já senti frio e fome também, mas fiz e comi suspiros pelos cômodos, como é cômodo comer essas delícias de forno! Agora estou bem.
Um segundo, está chovendo, vou desligar a janela. Me espere.
Voltei. Não tenho muito tempo, a chuva vai molhar a varanda. Vim só me despedir e pedir que você me mande farinha de trigo, por favor. Mas coloque num saco cheio, saco vazio o vento leva e não volta mais, você sabe, Nina. Aproveite e se encha de amores você também. Senão você não voa e vai morrer a pé. Estou avisando. Seu Euclides me disse que você anda amarelada.
Mande lembranças a Petronila. As sandálias de algodão que ela esqueceu aqui parecem nuvem e quase que eu as deixo sair pela janela. Peça pra ela vir buscar.

 Com amor e letra de fôrma,

Clarice.




terça-feira, 29 de novembro de 2011

Este Blog abraçou a “Casa que o amor construiu...”




           
O Pó de Lua é o mais novo parceiro virtual da Casa Ronald McDonald RJ.       

A Casa Ronald McDonald-RJ acaba de ampliar seus horizontes no mundo virtual. A instituição, que hospeda crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer no Rio, começou uma nova campanha na internet. Após ter lançado uma Fan Page no Facebook e revitalizado o Twitter, a CRM lançou uma ação junto aos principais blogueiros do país. O mote da campanha online será uma extensão do slogan tradicional: “A Casa que o amor construiu... a Internet abraçou!”. A expectativa é conquistar, cerca 1 milhão e meio de visualizações em blogs e sites desses novos parceiros.
A agência CMI, especializada em marketing digital, ficará responsável pela campanha, voluntariamente. Ela começou o trabalho fazendo uma listagem dos maiores blogs do Estado do Rio e mais influentes do Brasil. E o Pó de Lua foi um dos selecionados.
Sendo assim, aproveito a oportunidade para passar para vocês leitores, que a partir de hoje, abraço a CRM-RJ. Este espaço ganhará o selo de “Blogueiro Responsável” (alí do lado direito!) da Casa Ronald McDonald RJ e convidamos a todos para também abraçarem a Casa.
Apoie a Casa seguindo e adicionando as redes da CRM:


Responsabilidade Social – Esse Blog abraçou a CRM-RJ  - Blogueiro Responsável

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Uma Casa e um Dia.

Lembrancinha. Noivado de Carla e Max.
Mesa. Noivado de Carla e Max.
Bolo. Noivado de Carla e Max.
Noivado de Carla e Max.
Noivado de Carla e Max.
Carla e Max e os Pais bailando.
Jon era apaixonado pela sua guitarra. Aonde ia levava a Vermelhinha com ele, desde moleque, quando a Vermelhinha era toda de plástico e acendia luzinhas coloridas tocando Beethoven. Foi um caso de amor desde pequenininho. Ele não resistia às suas notas distorcidas. Ela gostava mesmo de distorcer suas notas. Coisa de mulher. Ele entendia e gostava. Dizia pra ela: “um dia a gente se casa”.
Já Maria era apaixonada pelo seu Sonho. Quando era pequenininha, fazia todos rirem com sua mania de dizer que quando, crescesse, queria ser Sonhadora. Quando cresceu, se vestiu de Sonho e disse que era com Ele que ela ia passar o resto da vida. Ninguém entendia, mas ela sim. Dizia pra ele: "você é meu Dia e minha Casa".
Todo mundo amava Ambrozina. Mas Ambrozina nunca amou ninguém. Só sentava de braços, pernas e cara cruzadas. Terminou que cruzaram tanto o seu caminho que ela entrou pra cruz vermelha. Rodou o mundo. Se casou com o trabalho e descruzou os braços pra cuidar de terceiros. E Ambrozina encontrou aí seu caso de amor, em vários casos complicados. Dizia pra eles: "eu passo o dia em tantas casas".
Carla amava Max, Eduarda amava Eduardo.
Max amava Carla e Eduardo amava Eduarda.
Não importava muito se era desde pequenininho. Mas era daquelas coisas que começam até modestas, tímidas, mas que crescem tanto que não cabiam mais em casas separadas. Tiveram ter uma “casa comigo”? Pra caber a mobília nova. Diziam um para o outro: "casa comigo um dia?"
Estava lá todo mundo no casório. Jon tocou sua guitarra apaixonadamente enquanto a noiva entrava na Igreja e ele não se importava se estava todo mundo percebendo que seu mundo todo era a Vermelhinha. E só. Ela fazia uma marcha nupcial distorcida como ninguém.
Maria parecia sozinha alí, sorrindo radiante com os seus. Ninguém entendia que de sozinha ela não tinha nada. Mas ela entendia e gostava. Tinha levado o melhor Presente para os noivos.
Ambrozina também foi. Estava de dedos cruzados pra que tudo desse certo. O resto era livre e descruzado pra sempre, meio sem volta.
O casório não foi o mesmo, nem os convidados estavam presentes nessa ordem. Cada um é o seu. Mas em todo casório tem dos seus noivos, Jons, Marias e Ambrozinas.
E todo mundo estava casado alí. Cada qual com seus amores e em sua casa. Ou Casa.
É que um dia a gente casa.


Clarice Freire.


Isso é porque minha prima, uma das minhas primas/irmãs mais velhas desde pequenininha, noivou esse sábado e eu, a pior das manteigas derretigas e refogadas mais idiotas da Terra, fiquei vibrando de felicidade por ela. Naquelas horas que você começa a sentir velha e ninguém sabe, mas você gosta disso. E Duda, que passou dos tempos de macacão e Sonhar acordadas direito pro altar. E pra todos aqueles que também sentem que um dia acabam se casando. Não importa com quem ou com o quê. Não importa bem a sua forma de casamento. Importa o Amor que você dedica a ele. Ou a ela, no caso da guitarra de Jon. E se isso te transborda ou não.
É ou não é?



sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Desapego.


É quando sai o que é sobra.

Que tal limpar o coração e o guarda-roupa no fim do ano?
O que Importa precisa respirar.


E segue a saga do bloquinho de papel. 





Clarice Freire.



quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Condicionalmente.


E o bloquinho em branco continua ocupando meu tempo e cabeça livres.
Esse foi pra quem entende que pra Amar sem muitas condicões, tem que Sonhar alto.
E free as a bird.




Clarice Freire.


quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Canção do Coração Partido.



A Linda Priscila Lins, minha dupla e ilustradora suuuper talentosa do blog  http://meurisoto.blogspot.com/ que por sinal, foi quem fez essa logo aí de cima, (tem mais artes lindas por lá!) veio me mostrar o resultado de sua última tarde livre, essa ilustra que ela chamou de “Canção do Coração Partido”. Quando bati o olho, achei a cara do Pó de Lua (#meachando!). Acabei rabiscando algo sobre ela e esse foi o resultado dos meus últimos minutos do horário de almoço de hoje. Mais uma vez, no bloquinho perigoso de papéis em branco que descobri ontem. Uma inspiração puxa a outra. 

Um dia inteiro, mesmo que partido pra vocês. :)





Clarice Freire.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Meio a Meio.




Hoje eu descobri um bloquinho de papéis em branco aqui na agência. Perigo. Acabei rabiscando isso e tirei foto com o celular mesmo. Não tem nadinha de profissional aí, mas tá valendo o conteúdo do copo. Resultado de uma conversa com um grande amigo, que lembrava de outro amigo. O "a" do alguém também pode ser maiúsculo, pra quem quiser.
:)








Clarice Freire.

domingo, 20 de novembro de 2011

De Inho em Inho.

Saindo do Paço Alfândega esse domingo, vejo que o chão está repleto desses grãos que parecem comida de passarinho. Alguns deles estavam felizes da vida comendo - de pouquinho em pouquinho - o que era, provavelmente, o carregamento de algum caminhão descuidado. 

Ímã de Passarinho. Via  http://kanten.com.br/blog/?p=322


Vivendo de Amor de pouquinho, ela se sente contente com a impressão de se contentar.
Mas isso é vida de passarinho,
Que não sabe voar.





Clarice Freire.




Pra quem gosta de Viver em abundância. 

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Vamos?


Little sister com Alfredo.
Chocolate com Churros é amor. haha Plaza Mayor de Madrid.

Janela do ônibus Segovia - Madrid. Frio. Muito frio.

Frio. Muito frio – Paris.



Vamos comer o frio com chocolate quente,
E tocar a dor com um violão chamado Alfredo.
Vamos ouvir o som que tem a mente,
E o vazio beber o medo.
Tomar um porre eloquente,
De copos fundos de Segredo.







Só porque meu violão realmente se chama Alfredo. Herança do tempo hippie de mi madre. Mas isso era segredo dela.



Clarice Freire.


Fora da Caixa.










-        Quero viajar, conhecer o mundo!

Disse a formiga dentro da sua caixa de fósforos.


-        Acende um fósforo desses, sobe nele, vai virar um foguete e quem sabe você não vai bater na Lua.


Disse a outra formiga entediada, em seu horário de almoço. Tinha ido descansar na caixa de fósforos da viajante lunática e queria silêncio.

-        Mas eu quero conhecer o mundo, não a Lua. Preciso de uma ideia nova, diferente, original, criativa.

Disse a formiga viajante lunática com os olhinhos brilhando.
-        Então sai daqui e olha em volta, menina. Trancada aqui você sufoca a cabeça. 
 Tente uma ideia for a da caixa.






Esse foi especial pra todas as formigas que trabaham e trabalham todos os dias pra encontrar aquela nova ideia que vai sair pelo mundo.  Feliz Dia da Criatividade a todos (nós!) publicitários que talvez entendam um pouco melhor esse post de hoje. 
*E pra todo mundo que precisa ser muito criativo nessa vida.




Clarice Freire.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Mãe, fugi com o circo.


FITO - Marco Zero.



Céu do Marco Zero do dia que decidi fugir com o circo. Vontade de voar.
Dr.Abobrinha do Castelo Rá-Tim-Bum no FITO. Dia que decidi fugir com o circo.


FITO - Marco Zero.


FITO - Marco Zero.


Sempre tive vontade de voar. Tive vontade é eufemismo. Eu morro de vontade de voar. Todos os dias de manhã, meio dia, seis da tarde, essa vontade vira um desejo devastador. Vira uma obsessão. Na verdade eu já negociaria que o meu carro, o meu ônibus, ou eu mesma voasse e passasse por cima daquele mar de carros ranzinzas que se emparelham no trânsito da minha querida cidade. Confesso que também penso na saudade de quem está longe, nem só de engarrafamento vive a vontade de voar do homem, é verdade. Ah, se eu voasse. Quando era pequena só queria mesmo sobrevoar a Serra das Russas, no caminho de Gravatá, acompanhando o carro dos meus pais, porque claro, desde pequena conheço bem meu senso de orientação e sabia do risco de me perder no caminho. Teria que seguir o carro de cima quando fosse pra casa da minha vó voando. (Imaginei agora a minha vó voando, pausa, rapidinho. P.S.: eu tava falando de mim). Senão ia bater na Rússia, não nas Russas e, pelo meu senso de orientação, não saberia voltar, nem sabia falar russo. Vamos evitar problemas.
Sempre quis dançar bem, mas o talento também não me ajudava nesse quesito. Observava as bailarinas que tem graça, beleza, flexibilidade, desenvoltura, só a Claricinha que não tem. E quando as minhas amigas dançavam e faziam piruetas na ginástica eu aplaudia entusiasmada (ainda aplaudo, ok) de admiração.
Coragem. Sempre quis ter litros de coragem. Inclusive esse era meu apelido na fisioterapia (sim, meu joelho é uma droga), na natação (em dias de chuva, eu tinha esperança do meu pai me liberar de acordar tão cedo. Pedindo, ele perguntava se a piscina estaria molhada demais pra mim. E lá ia eu, nadar na chuva, e não podia nem ir voando). Coragem era meu apelido e hoje, algo me diz que eu conheci muito cedo a ironia.
Nessas horas eu queria fazer a piscina desaparecer. Ou meu pai (eu sei que você vai ler isso, mas perdoe o rancor infantil de aguém que APENAS não queria nadar na chuva). 
Me admiro com os domadores, atiradores de facas. Hoje eu admiro a coragem de quem sabe domar leão. Nunca controlei meus peixinhos suicidas, mas aprendi a domar leão também, é verdade.
Um pouco de magia cai bem no dia. Coçar o nariz e arrumar a bagunça, qualquer tipo de bagunça, qualquer uma mesmo; poção do amor (ui!), voar (eu disse que era obsessiva), invisibilidade. Eu queria ser mágica também.

É fácil existir, vale à pena se você conseguir fazer alguém rir. Nessa hora relativiza-se tempo e espaço. 
Eu queria ser palhaço.

Querendo tanto, fiquei sem saída.
Essa é minha carta de despedida,
Da vida sem graça. Vou sair, cantar, lançar um disco.
Eu vou mesmo e arrisco.

Mãe, adeus,
Fugi com o circo.







Clarice Freire.



sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Reinventei.


Alguém inventando como falar de amor no chão da Festa da Vitória Regia - Casa Forte.


Soprando o amor em uma parede da Torre.
                                                     "The Invention of Love" Animação linda.

Inventei um Amor que era velho. 
Inventei de me vestir com sua Cara de dia-a-dia encantado.
Inventei um Amor que era primeiro meu, agora é espalhado.
Que o que tinha de Amado, com meu jeito, assim, limitado, tinha também de conturbado.
E o Amor antigo, pra ser morto de Vida, 
Apaixonado. Só gritava de um jeito, assim, sussurrado:

"Queria ser reinventado".







Clarice Freire.



P.S.: Tirei essas fotos porque sempre me chama a atenção alguns detalhes assim, apaixonados, aqui em Recife. Até porque também tem vezes que acho a cidade a mais linda do mundo (recifence é bairrista mesmo, e daí) como também acho suja e fedorenta. Desses amores velhos e conturbados.
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