domingo, 18 de janeiro de 2015

Contradição



Aquela moça lá é muito estranha. Esquisita. Só fala, não grita. Não corre, anda. Não leva, traz. Não tenta, faz. Não dá, entrega. A se enganar, se nega. Se não quer, é cega.
Aquela moça é diferente, tão avoada, ela, nem parece gente. Mas quem olha dentro dela se assusta com o quanto que ela é assim, somente. Mas que não mede, gente.
Ela só sente, sente, sente.
Que bizarra, aquela moça. Carrega um ar cansado, mas alegre. Estranhamente sã ela caminha pela rua.
Parece do mundo, não é dela, nem minha, nem sua. Tem uma cara de quem tem um corpo mas é um coração. Que estranha aquela moça lá.
Toda contradicão.

Clarice Freire.

Carta de Despedida


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